É chegado o dia em que não podemos mais. O dia em que já não temos o que dizer, já não sabemos pelo que lutar. A luta não é nossa e percebemos que não podemos obrigar ninguém a lutar por algo que não quer. A dúvida, no entanto, permanece quando achamos impossível um alguém não querer lutar pela vida, com que direito podendo lutar, preferimos desistir?
Dói, massacra, destrói, dar tudo de nós por alguém e sentir que não chega, todo o esforço não é suficiente. Sentimento de fracasso, dor constante, tristeza permanente, cada sorriso parece uma tentativa falhada de ser feliz por um momento. Sentimento de injustiça, "porquê a nós?!". Perdemo-nos no caminho, não sabemos o que dizer, o que fazer, o sentimento de inutilidade invade-nos, damos de nós mais do que temos e simplesmente não somos capazes!
Chega ao dia em que apetece fugir e apelar ao velho ditado "longe da vista, longe do coração". A vontade de ir contra todos os nossos princípios, fugir de tudo o que faz parte de nós, ir pelo caminho mais fácil, brindar ao egoísmo, desaparecer! Um sem fim de gritos mudos que não chegam para acalmar o sofrimento que vai cá dentro. Evitar o assunto, distrai e evita que outros sofram connosco, mas esquecer é impossível.
No final do dia, em silêncio, com a cabeça na almofada, sonho com outra vida, sonho com uma vida em que nada aconteceu, em que tudo não passou de um pesadelo, na qual digo em tom sincero, sou feliz! Mas, no dia seguinte quando acordo, em tom sincero só consigo dizer, a minha vida perdeu a cor.
À espera de um dia bom,
A.F.